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-A moda e sua dialógica Relação com o Ritmo e com o Espaço.
                                                                        por Sérgio Lima

 

Mônica Moura (2006) elucida com muita veracidade esta viagem no tempo e no espaço que faremos para entender as ligações da moda com a arte e com o processo evolutivo de uma sociedade, explicando com maestria: “Os estilistas referenciam-se na arte para imprimir expressões estéticas com estilização de formas, inovação de materiais, elaboração de interferências, estamparia e motivos com técnicas para realçar o design de superfície têxtil e vislumbram personificar sua marca. Moda e arte possuem os mesmos elementos de composição visual da imagem relativos às formas, silhuetas, linhas, volumes, cores e texturas. Neste sentido, o objeto de moda versus objeto de arte compreende o “reflexo do seu tempo e de sua sociedade” por apresentarem a mesma leitura, sendo ambos os objetos abertos e sujeitos à recriação, releitura e interpretação. Desta forma, na experimentação torna-se importante compreender a arte sob o aspecto inventivo, criativo, como suporte para o designer de moda promover suas interlocuções artísticas. Nesta relação, arte tem sido o esteio de inspiração na conexão com o processo de criação, entre outras interferências e influências que remetem à inter-relação entre os dois campos”.

O estilo individual de cada um se vestir passa a ser uma manifestação diária da sua essência cotidiana, seu estado e sua localização no tempo e no espaço.

A apropriação de elementos artísticos para o desenvolvimento da moda e suas inter-relações com os movimentos que marcaram as épocas servem de inspiração para os estilistas.  A moda dialoga com as épocas para descobrir as tendências culturais, diferenciando as regiões e os costumes de cada sociedade. Recorre, ainda, a informações que nos remetem ao contexto histórico, social, político e econômico e que nos possibilitam compreender melhor os possíveis significados das roupas, as quais traduzem cada época, possuindo um surgimento datado e localizado. Realça atitudes, desejos e possíveis mudanças políticas e comportamentais, por atuarem no dia a dia das pessoas.

Se a arte serve como canal histórico que revela tendências, os estilistas baseiam suas criações na recriação e projeção de uma idéia, juntamente com sua identidade pessoal, revelando na roupa um subtexto. Realçam informações que também são importantes no sentido de interpretarem novos signos complementares, os quais podem ser lidos juntamente com a roupa, possibilitando a compreensão mais profunda da criação e da época a que ela nos remete. A moda constitui uma época, mas continua tendo sentido além de seu contexto de surgimento, aberta a novas produções de significados a partir do seu contexto original.

Um exemplo que marca esta tendência de época, revisitando tempos passados enquanto o mundo vive o presente, são as criações de Christian Lacroix, que foi na contramão de diversos estilistas. Em 1980, provocou um choque na reinvenção da alta costura levando para as passarelas vestidos exuberantes, de tecidos volumosos, trabalhando com cores fortes, muita pedraria e sofisticação, enquanto o restante do mundo da moda trabalhava em uma tendência simplista e minimalista. Ao trabalhar o oposto das idéias que vigoravam na época, evidenciou sua autenticidade para o resto do mundo. Suas idéias partiam de várias culturas distintas, como as regionais folclóricas, cigana, espanhola e várias outras, na tentativa de buscar no passado uma essência para reconfigurá-la no presente, dando uma nova vida aos elementos já concebidos. Dessa busca incessante pela história, costume e pelas culturas regionais, surge o diferencial frente a qualquer outro costureiro. Lacroix costumava afirmar: “Eu me recuso a ser prisioneiro de minha própria imagem”.

A criação de imagens nas diversas épocas foi sofrendo transformações no modo representativo, acompanhando as mudanças no comportamento humano, na trajetória e no desenvolvimento tecnológico.

            Na compreensão destas confluências de caminhos distintos, RAHDE (1999, p. 82) diz que “A compreensão e a releitura do universo das imagens possibilita o encontro de caminhos diversificados, direcionando-nos para novas reflexões sobre o processo criativo das muitas formas imagísticas, relacionando conceitos e sentimentos, buscando a ciência como um dos pontos de soluções de problemas formais, imaginando novas inferências, pois é com a imaginação que o homem vem construindo o mundo para a transformação do universo”.

O mineiro de Curvelo, Alceu Pena, faz grande sucesso com seus trabalhos e em 1938 os jornais prometiam que "As garotas que são a expressão da vida moderna, endiabradas e inquietas, serão apresentadas todas as semanas em "O Cruzeiro" por Alceu Penna" - "As Garotas de Alceu". Suas garotas eram utilizadas como referência da moda a ser copiada, e o próprio Alceu caprichava na produção dos desenhos. Além de difundir os modelos em voga, detalhava minuciosamente as texturas e tramas dos tecidos, evidenciando as cores de cada uma das estações. Rever a obra de Alceu Penna é uma releitura não somente pela beleza e nostalgia de uma época passada, mas principalmente pela sua modernidade, onde suas metáforas se estendem também aos movimentos cotidianos da mulata que samba, do operário em ação, da rendeira que tece seus bordados em sintonia com o cosmo, capoeira, final de milênio, tudo em constante efervescência, movimentando nossa história.

Essa busca incessante pelo movimento em continuidade com o espaço nos remete também às obras de Giacomo Balla, nas quais é recorrente o endeusamento aos novos avanços científicos e técnicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas, sem chegar a uma total abstração, mostrando grande preocupação com o dinamismo das formas, com a situação da luz e a integração do espectro cromático. Um recurso dos mais originais que ele usou para representar o dinamismo foi a simultaneidade, ou desintegração das formas, numa repetição quase infinita que permitia ao observador captar de uma só vez todas as sequências do movimento.

Uma das grandes estilistas de todos os tempos é Madeleine Vionnet . Seus modelos criados em miniaturas de bonecas tinham linhas simples, mas por trás deles existiam grandes estudos de corte e drapeados. Considerada a rainha do corte enviesado, Vionnet encomendava seus tecidos com quase dois metros a mais para poder esculpir seus drapeados. De certa forma, a estilista redescobriu o corpo feminino, livrando as mulheres do espartilho e dando conforto e movimento através da forma e do corte de suas roupas.

            Conclui-se, portanto, que o vestuário é uma tendência de mudanças, dependendo sempre da época, do tempo, do local, onde tudo transcorre ao estilo da mudança humana.

 

Referências Bibliográficas

JOLY, Martine. Introdução à Análise da Imagem. São Paulo: Papirus, 1996.

RAHDE, Maria Beatriz. A gênese Estética na Comunicação Visual de Foster, Calkins, Gould e Raymond. Belo Horizonte: Intercom, 2003.

CASTILHO, Káthia; PRECIOSA, Rosane. A criação e o Design de Moda: apontamentos. Design, Arte e Tecnologia, Universidade Anhembi Morumbi/SP, PUC-Rio & Rosari, 2005.

MOURA, Mônica. Pesquisar, criar e projetar: relações entre design, arte e tecnologia. Design, Arte e Tecnologia - coletânea de artigos e projetos experimentais. Cd-rom. São Paulo, 2006.

MOURA, Mônica. O Design de Hipermídia. Comunicação e Semiótica, PUC/SP, 2003.



 



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