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- A legitimação da Linguagem Cinematográfica

por Sérgio Lima

 

A procura da legitimação da linguagem e a exploração das novas possibilidades visuais vêm de encontro com as vanguardas na arte, marcadas pela diversidade de tendências que propõem uma nova diretriz estética para a arte cinematográfica. Os movimentos vanguardistas apresentam novas formas de expressão artística, trazendo à tona novas linguagens. Segundo João Luiz Vieira, no seu texto “O cinema”, estas novas linguagens se caracterizam pelo efeito natural da estrutura narrativa. As novas composições de configuração levaram a uma nova forma de lidar com a realidade, influenciando diretamente os cineastas a uma nova estética e uma nova estrutura da linguagem, permitindo um diálogo constante entre o realismo e a experimentação. Experimentar a arte cinematográfica trouxe para a época um novo pensamento do cinema enquanto suas potencialidades e recursos expressivos na criação de uma linguagem própria.

Temos como exemplo desta busca da legitimação pelas novas linguagens dois filmes, que analisaremos como fonte de inspiração para estas novas tendências.

Começarei a análise pelo filme “O homem com uma câmera”, de Dziga Vertov, criado em 1929, e posteriormente pelo filme “O retorno à razão”, de  Man Ray(1923).

Esta análise inicia-se com uma importante frase do manifesto dos intitulados KINOKS, fundado por Dziga Vertov, ressaltando “Eu sou o cine-olho”.

Na busca de seu cine-olho, Vertov utiliza de efeitos próprios ao suporte-película, trazendo consigo um notável grau de inventividade. O ritmo é um dos elementos mais impressionantes, observados na velocidade da máquina e na velocidade da vida. O filme mostra claramente a ruptura de linguagens, descartando o cinema passado e propondo um cinema visionário que se deslumbra com as novas tecnologias.

O “cinema-verdade", ou o “Cine-olho”, revoluciona  a estética e a estrutura do cinema, com uma nova linguagem que não conseguimos denominar como filme, curta metragem ou documentário, mas sim como uma linguagem poética transfigurada em imagens em movimento. Nestas muitas denominações, concluímos que o filme não se restringe a nomenclaturas. A vivacidade e interpretação do drama são percebidas pela trilha sonora envolvente, que estreita a ponte entre o publico e a obra, com seus rebuscados tons, que vão além do que é perceptível apenas aos olhos e ao entendimento. Inúmeras possibilidades estéticas são apresentadas como a transposição de imagens, recortes e repetições de cenas, retratando quadros do dia a dia e do cotidiano. Isso torna a obra ao mesmo tempo comum e inovadora, nos proporcionando a tensão entre realismo e experimentação. São testadas inúmeras possibilidades técnicas que se poderia fazer com a câmera naqueles tempos. Os efeitos são colagem de imagens, aceleradas, reduzidas, recortadas e etc. Tem-se a seguinte visão: a parte pelo todo. Então, a partir de escolhas deliberadas, apresentam-nos vários tipos de planos e seqüências, ora feitos da forma mais simples de captação de um momento, ora de forma ilusionista, condicionando-nos a uma interpretação diferenciada da realidade, como na hora em que recorta a imagem em unidades, fazendo com elas idéias contrárias à mesma na sua forma usual e originária. Ainda, faz com a música um encaixe perfeito entre som e imagem.

Conforme a direção do olhar, a imagem seguinte a acompanha, ou seja, se o olho vira para a esquerda, as imagens seguintes são feitas com a câmera se movimentando para a esquerda também, assim podemos dizer com certeza que a câmera representa uma extensão deste. O espectador acaba por participar deste olhar da câmera, que por fim passa a ser também seu próprio olhar.

O filme “O retorno à razão”, de Man Ray (1923), foi produzido em um só dia. O título se refere a um retorno à razão, mas, paradoxalmente, o filme revela-se inteiramente sem razão, demonstrando seu mundo interior, que certamente está associado ao inconsciente e à fantasia. Utilizando-se de radiogramas, quadros feitos por objetos colocados diretamente sobre a película, como alfinetes e botões, o filme projetava efeitos metálicos na tela. O corpo nu de uma mulher foi um dos únicos elementos concretos do filme, que continha cenas comuns em um contexto incomum. Esta foi uma obra dadaísta, tanto pelos elementos utilizados quanto pelos seus resultados, uma vez que causou uma reação violenta na platéia, sendo interrompida a projeção após três minutos. Isto de certa forma revela as intenções do autor com seus filmes, não revelando nenhum significado fixo ou idéia base, e informando que o cinema e a fotografia ainda tinham muito a mostrar, comparado com a pintura, por exemplo.

O filme, cujo título irônico faz referência às sombras que compõem as imagens na película, foi rodado quando Lenin já estava quase no fim da sua vida, e na América se acendiam as luzes dos anos loucos, quando os inspiradores do Great Gatsby brilhavam em suas festas de Long Island. Retorno à razão nos conduz à lembrança do filme The Great Gatsby, do irlandês Herbert Brenon, rodado em 1926, a partir da novela de Scott Fitzgerald de mesmo nome, filme do qual nada sabemos, porque se conservou apenas um minuto da metragem: sombras, como no celulóide de Man Ray. Parece uma guinada na história.

Nesse ano, Ray era ainda um jovem de pouco mais de trinta anos e podia ter perfeitamente compartilhado dessas noitadas de álcool, sexo e cocaína que Scott Fitzgerald relata em sua novela, ainda que, em 1926, fazia cinco anos que havia deixado Nova York por Paris, depois de publicar o único número da revista New York Dada. Em 1923, na estréia do filme de Ray num teatro de Paris, Aragon, Breton, Éluard e Péret organizaram um escândalo para promover a sessão, ação própria das inclinações provocadoras que acompanhavam as vanguardas e os jovens, e não tão jovens, que, às vezes às cegas, buscavam novos caminhos para arte e a vida.

Ao analisarmos os dois filmes, podemos perceber claramente a associação ao naturalismo realista colocando-os num patamar de produções experimentais, se caracterizando pelo efeito natural da estrutura narrativa.

O realismo e experimentação das obras nos remetem ao encontro da arte com o público por meio dos sentidos e fantasias, do real e do imaginário.

 

 

Bibliografia: 

VERTOV, D. Extrato do ABC dos kinoks. In: XAVIER, I. (Org.). A experiência do cinema: antologia. Rio de Janeiro: Graal/Embrafilme, 1983a. p. 263-266.  Parte inferior do formulário

 

 

BARTHES, Roland“O efeito de real”In: O rumor da língua Tradução Mário Laranjeira, prefácio Leyla Perrone-Moisés São Paulo: Brasiliense, 1988.

 (2005)A preparação do romanceTradLeyla Perrone-MoisésSão Paulo: Martins Fontes.

BAZIN, AndréQu’est-ce que le cinema? Paris: Les Éditions du Cerf, 2002.

BENJAMIN, Walter“Pequena história da fotografia” in Magia e Técnica, Arte e Política Ensaios sobre literatura e história da culturaTradução Sérgio Paulo Rouanet, prefácio Jeanne Marie GagnebinSão Paulo: Brasiliense, 1994.

RAHDE, Maria Beatriz Furtado e CAUDURO, Flávio Vinícios. Revista Fronteiras . estudos

midiáticos. Vol. VII (3): 195-205, setembro/dezembro 2005. Unisinos.



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